segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Oscar 2017: Melhor Animação

Ois!


Saindo do forno, mais um post sobre os indicados ao Oscar 2017. Hoje vou falar sobre uma categoria que adoro: animações. Só não consegui assistir ainda o 'Minha vida de abobrinha'. Eu ia aguardar o lançamento, mas sei lá se vão adiar de novo. Então, por enquanto, vou falar dos outros quatro concorrentes. Preparados? Sigam-me os bons!

Zootopia (Zootopia – Byron Howard, Rich Moore, 2016) [Estados Unidos]
Judy Hopps é uma coelha que sonha em ser policial. É um sonho ousado, já que os coelhos tradicionalmente se dedicam à agricultura, enquanto a defesa dos cidadãos de Zootopia fica a cargo de grandes mamíferos, predadores em sua maioria. Mas Hopps é decidida e vai atrás da carreira desejada. Mesmo depois de se formar na academia de polícia, ninguém a leva a sério e ela é designada para a função de guarda de trânsito. E enquanto cumpria sua tediosa tarefa de multar carros com ticket de estacionamento vencido, ela conhece Nick Wilde, uma raposa trambiqueira. Mesmo com esse filme disponível no Telecine, demorei muito para ver. Provavelmente nem assistiria se não tivesse sido indicado ao Oscar. Imaginei que seria um filme bobinho, daqueles que usam só o visual para prender a garotada. Estava totalmente enganada. A história tem as clássicas mensagens positivas, do tipo 'respeitar as diferenças', 'nunca desistir dos sonhos', etc., mas também capricha nas referências pop, como 'Poderoso Chefão' e 'Breaking Bad'. E ainda tem as preguiças que trabalham no departamento de trânsito. Chorei de rir com elas. De bônus, Shakira dublando a pop star Gazelle. Foi uma ótima surpresa.
Nota: 4/5

Moana (Moana – John Musker, Ron Clements, 2016) [Estados Unidos]
Moana é filha do chefe de uma tribo e, portanto, um dia também será líder. A tribo vive em uma ilha, em perfeita harmonia com a natureza, até que começa a enfrentar problemas para obter alimento. A solução é óbvia: navegar em busca de outras terras férteis ou outras fontes de comida. Só que há um segredo trágico que impede os nativos de se lançarem ao mar. Entretanto, Moana tem uma relação especial com o oceano e parte sozinha para quebrar uma maldição e salvar seu povo. Muita gente elogiando e muita expectativa. Resultado: frustração. Obviamente é ótimo que uma protagonista das animações Disney fuja do estereótipo da princesa em busca do amor – Moana passa com louvor nesse teste ao não se envolver romanticamente com ninguém – mas a jornada do herói (da heroína, no caso) já foi contada de forma mais envolvente e satisfatória. As músicas também não funcionaram para mim. Destaco como pontos positivos a Moana em si, as tatuagens animadas do semideus Maui e a avó da Moana, que fica pouco tempo em cena, mas é crucial no encorajamento da neta e na revelação do passado da tribo. Provavelmente deve ganhar o Oscar.
Nota: 3/5

A tartaruga vermelha (La tortue rouge – Michael Dudok de Wit, 2016) [Holanda] 
Um náufrago vai parar em uma ilha e tenta desesperadamente sair de lá. Mas sempre acontece alguma coisa que o impede de partir. Um dia, ele percebe o que estava arruinando suas tentativas de ir embora: uma enorme tartaruga vermelha. Irado, o homem mata o animal. Mas algo estranho acontece e o náufrago desiste de abandonar a ilha. Em uma parceria inédita de coprodução entre o Studio Ghibli e diversas empresas de animação da França e da Bélgica, o filme é dirigido por um holandês e não tem nenhuma fala sequer. O estilo do desenho me lembrou o do Hergé, criador de Tintim, e a história é simples em sua essência, mas dá o que pensar, pois é cheia de simbologias, começando pela tartaruga, que representa a sabedoria e a longevidade, e passando pela própria figura do náufrago e seu aprendizado e amadurecimento. Sem dúvida, o filme dá margem a várias interpretações, e, embora tocante, esse seu caráter mais subjetivo torna a animação mais adulta e com menos chance de levar o prêmio.
Nota: 3,5/5

Kubo e as cordas mágicas (Kubo and the two strings – Travis Knight (II), 2016) [Estados Unidos]
Kubo é um garoto que mora com sua mãe em uma caverna isolada. Ela é uma deusa que contrariou as ordens paternas e, em vez de matar o famoso samurai Hanzo, se apaixonou por ele, com quem fugiu e teve um filho, Kubo. Na fuga, Hanzo foi morto, Kubo perdeu um olho e a mãe desenvolveu depressão. Desde então o menino é responsável pelos cuidados com a mãe e pelo sustento da casa e, para arranjar uns trocados, ele conta histórias no vilarejo enquanto toca seu instrumento com cordas mágicas que dão vida a pedaços que papel que se transformam em origamis animados. Uma noite, Kubo desobedece às instruções da mãe porque queria ver o festival das lanternas, e isso acaba colocando em seu encalço suas duas tias vingativas. Ele, então, não tem outra saída a não ser partir em busca da armadura encantada de seu falecido pai para proteger a si mesmo e à mãe. Em sua jornada, ele conta com a Macaca e com o Besouro. Baseada em lendas e mitos japoneses, a animação é, de longe, a mais interessante da safra 2017. Mesmo sendo voltada para o público infantil, a história não subestima a inteligência dos pequenos e trata de temas pesados como morte e depressão e coloca monstros bem assustadores no caminho de Kubo, mas a força da amizade e o poder do amor e do perdão estão lá para contrabalancear o lado sombrio. Para mim, o stop motion é mais um ponto positivo. Sem dúvida, o meu favorito. 
Nota: 4/5

Veja todos os posts de indicados ao OSCAR 2017.

2 comentários:

Lígia Barros disse...

Ainda não vi nenhum dos filmes e não sei se conseguirei ver antes do Oscar, mas gostei da variedade das indicações. Tenho vontade de ver quase todos, especialmente A tartaruga vermelha e Minha vida de abobrinha

Michelle disse...

Lígia,
Também gostei da variedade. E de quase todos os filmes.