sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2 em 1: Amigo Secreto e Primeiro Sorteio do Blog

Oi, gentes!

Este é provavelmente meu último post de 2011, então vai ser no estilo 2 em 1.

Primeiro, o que ganhei de amigo secreto:

Simplesmente perfeito!

Em seguida, parte da última comprinha do ano no Submarino:

Não, eu não endoidei de vez. Apenas aproveitei o precinho camarada e comprei dois exemplares do mesmo livro porque 1 é meu e o outro decidi sortear. Como podem ver, o meu já tem até marcadores colados, pois comecei a ler ontem. O outro está lacradinho e vai para 1 felizardo participante do Primeiro Sorteio do Blog!

Preparados?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O melhor (e o pior) de 2011

Livros:

Outro dia li não sei onde (sorry!) que às vezes gostamos tanto de um livro ou filme que temos ciúme de compartilhá-lo com outras pessoas. Acho que não foi bem o ciúme que me impediu de compartilhar minhas observações sobre "A menina que roubava livros" (o melhor livro que li em 2011) e sobre “Pequena Abelha”. No primeiro caso, fiquei tão encantada com a forma em que o livro foi escrito, com as imagens e jogos de palavras que, ao ler, ficava tentando imaginar como seria o livro original. Descolei uma cópia em inglês e decidi fazer uma comparação, mas ainda não executei. Prometo que em 2012 coloco isso em prática! Já meu livro da "Pequena Abelha" está todo colorido, cheio de post-its marcando os trechos que mais gostei, mas não consigo decidir o que usar, pois quero manter a aura de segredo da sinopse original. Quanto ao “Travessuras da Menina Má” foi o segundo livro que li de Vargas Llosa e rolou uma identificação total com Ricardito. Desse, pelo menos, eu fiz a resenha...

A decepção literária foi

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Série: Bag of Bones

Olá, pessoas!

Como foram de Natal?
Preparados para a virada?

Eu estou aproveitando minha semana de ócio total para realmente fazer nada. Num dos meus passeios pela internet, dei de cara com a minissérie "Bag of Bones". Para quem não sabe, é mais uma história inspirada na obra de Stephen King. Então já viu... É suspense? Sim. É adaptado dos livros do Stephen King? Sim. Tem um cartaz poderoso? Sim. Tive que assistir.


Sinopse: Baseada no livro de mesmo nome de Stephen King, Bag of Bones conta a história de Mike Nooman
(Pierce Brosnan),um famoso escritor que não consegue superar a perda de sua esposa, morta repentinamente em decorrência de um aneurisma enquanto estava nos primeiros meses de gravidez do primeiro filho do casal.O trauma causa uma espécie de bloqueio criativo em Nooman, que acaba passando os últimos quatro anos publicando apenas os manuscritos que escreveu antes da tragédia. Para piorar, ele é assombrado por estranhos sonhos que o guiam até a antiga casa de veraneio da família. Mas em vez de paz e consolo a paisagem bucólica da região esconde muitos problemas. Ele acaba conhecendo a pequena Kyra e sua mãe Mattie (Melissa George), uma jovem e bela viúva que luta contra o sogro tirano (William Schallert) pela guarda de sua filha, e resolve ajudá-las. Ao mesmo tempo ele precisa lidar com as constantes visitas de vários fantasmas, entre eles sua esposa, que tenta lhe entregar uma última mensagem, e de Sara Tidwell (Anika Noni Rose), uma cantora de blues cujo espírito ainda habita a casa. Na tentativa de entender o que está acontecendo com seu novo lar, Nooman começa a investigar sua história, chegando a surpreendentes e assustadoras revelações.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E lá se vai mais um ano...

Oi, gente!

Esta semana está tão corrida que nem tive tempo de postar. Mas faz parte da loucura que antecede o fim de ano, né?
Enfim... aproveito para desejar a todos um ótimo fim de ano e um 2012 pleno de realizações.

Superbeijo,
Michelle

P.S.: Repararam que o blog agora tem twitter e Facebook? Ainda estão em construção, mas fiquem de olho que em breve teremos novidades por aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As Cidades Invisíveis (Ítalo Calvino)

“As Cidades Invisíveis” é uma das obras mais conhecidas de Calvino. São várias histórias narradas pelo famoso viajante Marco Polo ao imperador dos tártaros Kublai Khan. As cidades são divididas por temas: “as cidades e a memória”, “as cidades e o céu”, “as cidades e o desejo” etc e têm sempre nome de mulher. Isso é apenas um indício da sedução exercida pelas cidades, tornando impossível saber o que é real e o que é imaginário:

“Anastácia, cidade enganosa, tem um poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha oito horas por dia como minerador de ágatas ônix crisóprasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua fortuna, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo”.
(As cidades e os desejos - páginas 17-18)


Imagem de Nora Sturges
É apenas por meio da narração de Marco Polo que Kublai Khan conhece as cidades que fazem parte de seu reino. Marco Polo são os olhos do imperador desbravando novas terras. Mas, será mesmo que ele conheceu todos esses lugares? E se conheceu, será que eles seriam de fato como descritos?


A discussão sobre a existência e o aspecto das cidades é constante entre os dois personagens do livro.
Uma dessas passagens:

Imagem de Nora Sturges
“Kublai Khan percebera que as cidades de Marco Polo eram todas parecidas, como se a passagem de uma para a outra não envolvesse uma viagem, mas uma mera troca de elementos. Agora, para cada cidade que Marco lhe descrevia, a mente do Grande Khan partia por conta própria, e, desmontando a cidade pedaço por pedaço, ela a reconstruía de outra maneira, substituindo ingredientes, deslocando-os, invertendo-os.
Marco, entretanto, continuava a referir a sua viagem, mas o imperador deixara de escutá-lo, interrompendo-o:
- De agora em diante, vou descrever as cidades e você verificará se elas realmente existem e se são como eu as imaginei...”
(Parte 3 – página 45).


 Além disso, a poesia e o lirismo estão impregnados em trechos como este:

Valdrada, de Luthero Proscholdt
“Às vezes o espelho aumenta o valor das coisas, às vezes anula. Nem tudo o que parece valer acima do espelho resiste a si próprio refletido no espelho. As duas cidades gêmeas não são iguais, porque nada do que acontece em Valdrada é simétrico: para cada face ou gesto, há uma face ou gesto correspondente invertido ponto por ponto no espelho. As duas Valdradas vivem uma para a outra, olhando-se nos olhos continuamente, mas sem se amar”.
(As cidades e os olhos - página 56)

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Andria, de Luthero Proscholdt

Inspirados por Calvino, muitos artistas expressaram suas visões das cidades míticas no papel/tela. Alguns exemplos são Nora Sturges e Luthero Proscholdt, cujos trabalhos ilustram este post.

Uma coisa é certa: é impossível não deixar a imaginação rolar solta ao ler as descrições das cidades. Eu mesma me apaixonei por umas quatro ou cinco!

Créditos:
Imagens da Nora Sturges
Imagens de Luthero Proscholdt

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rock and Roll Exposed: The Photography of Bob Gruen

Segunda assisti ao sensacional "Rock and Roll Exposed: The Photography of Bob Gruen". O documentário, originalmente dividido em partes, passou na íntegra na HBO Plus. Para quem não sabe, Bob Gruen é mundialmente conhecido por fotografar grandes artistas, shows e bastidores do mundo do rock. Com seu olhar apurado e sensibilidade marcante, ele registrou momentos históricos da música.

Algumas fotos clássicas:


O documentário mostra como ele ingressou nesse mundo, seu método de trabalho, seus ídolos. De acordo com vários entrevistados, Bob Gruen conseguiu eternizar momentos memoráveis sem ser invasivo, chato ou mandão. A naturalidade vista nas fotografias é real porque não eram poses ensaiadas e é algo que só se consegue quando se está totalmente à vontade na presença do fotógrafo.

No vídeo, além de diversas fotos, há entrevistas com Yoko Ono, Iggy Pop, Debbie Harry, Alice Cooper, Sean Lennon, Tommy Ramone, Billie Joe Armstrong do Green Day e muitos outros. Um dos pontos altos é quando Yoko Ono lembra da relação do fotógrafo com John Lennon, de quem ele era muito fã. Ver como o primeiro contato tímido que tiveram se transformou em amizade é muito bacana.

Bob Gruen fez uma exposição maravilhosa na FAAP aqui em São Paulo em 2007. Eu fui e posso afirmar que as fotos e os cenários montados eram incríveis. Inclusive, a exposição é mencionada no documentário e no site do Bob Gruen, onde também é possível ver outras fotos. Também dá para ver algumas fotos no hotsite da exposição da FAAP.

Dá para ver trechos do documentário AQUI e AQUI.
Quem quiser conferir na HBO, aqui está a lista com os horários de exibição.
Não percam!

Créditos:
Foto 1: Retirada do site Stupefaction
Foto 2: Sequência retirada do hotsite da FAAP
Foto 3: Retirada do site do Bob Gruen

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Leia o Livro, Veja o Filme: À Espera de um Milagre (The Green Mile) - Stephen King

Inicialmente lançado em seis fascículos nos Estados Unidos e depois reunidos como um romance completo, ainda são nítidos a divisão dos livretos e o miniclímax de cada um. No Brasil, o livro foi lançado primeiro como O Corredor da Morte, e só foi rebatizado quando lançaram o filme, em 1999.

Paul Edgecomb, ex-guarda penitenciário responsável pelos condenados à cadeira elétrica, “carinhosamente” chamada de Velha Fagulha, escreve suas memórias em um asilo. Ele relembra os dias que viveu em Cold Mountain cuidando dos presos que ocupavam celas do Bloco E, também conhecido como Corredor da Morte, O Último Quilômetro, O Quilômetro Verde ou Corredor Verde (o tal do Green Mile do título original), pois na referida prisão o temido corredor era de linóleo verde.

A vida de Paul e de seus companheiros de trabalho muda radicalmente com a chegada do prisioneiro John Coffey, um negro de mais de dois metros de altura acusado de matar e estuprar duas garotinhas. Apesar do seu tamanho descomunal e da grave acusação imposta a ele, Paul vê doçura em seu olhar e seus estranhos poderes são apenas mais indícios que levam Edgecomb a investigar melhor o que de fato aconteceu.

O toque sobrenatural de Stephen King só aparece lá pela metade do livro e, para mim, ficou claro de onde veio a ideia da fumaça preta usada em Supernatural para representar demônios saindo do corpo de alguém. O filme é bem fiel ao livro, com uma ou outra adaptação que não comprometem o enredo.

Outro personagem que merece destaque é o Sr. Guizos, o rato que aparece em Cold Mountain e passa a morar na cela de um dos detentos. Muito além de servir como um bichinho de estimação e de diversão para os guardas, ele tem um papel crucial na história e seu destino está intimamente ligado ao de Edgecomb.

Não tem como não se emocionar com esta história, que mostra com sensibilidade e um toque de magia o quanto as aparências enganam e o quão devastadores podem ser os preconceitos. Imperdível!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Convite / Divulgação: Gatos Sortudos

Oi, pessoal!

Hoje vim fazer um convite / divulgação do lançamento do livro "Gatos Sortudos" de Juliana Bussab e Susan Yamamoto. Para quem não conhece, as meninas são as fundadoras do Adote um Gatinho, uma das ONGs mais respeitadas do Brasil quando se fala de resgate, tratamento e adoção de animais. No livro, elas contam um pouco da história do AUG, de casos de resgatinhos e muito mais.

No próximo sábado, elas estarão promovendo o livro na Livraria da Vila, no Shopping Higienópolis, das 15:00 às 19:00. E, como é lançamento, ainda tem mimos: Quem comprar o livro lá no sábado ganha uma cartela de adesivos com os personagens e ainda um ratinho de brinquedo para o seu gato se divertir pela casa enquanto você lê o livro! Legal, né?

Quem não puder ir ou não for de São Paulo não precisa ficar triste. As meninas não esqueceram de ninguém. Dá para comprar o livro na pré-venda até sábado no site da Livraria Cultura. O link está AQUI. Mas a promoção é só até sábado, tá?



Então corra! Compre o seu e ajude a divulgar esse trabalho tão bonito. Não é fã de gatos? Não tem problema. Tenho certeza que você tem alguma prima, tia, irmã, amiga, namorada que adoraria ganhar um livro desses. Ainda mais nessa época de fim de ano, com os presentes de amigo secreto e tudo mais. Não tem como errar!

Beijo a todos!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Por aí: Centro de São Paulo

Sábado retrasado eu precisava ir ao centro e, aproveitando que estava um dia lindo, que devolveram minha câmera e que eu tinha companhia, carreguei as pilhas, peguei minha bolsinha tira-colo e fui. Eu adoro andar pelo centro e observar aqueles prédios antigos. Pena que grande parte deles não receba o tratamento devido. Mas aqui vão algumas fotinhos:

Sede da Prefeitura
O Edifício Matarazzo, também conhecido como Palácio do Anhangabaú, é a sede da prefeitura da cidade de São Paulo desde 2004, quando esta se transferiu do Palácio das Indústrias. Pertencia anteriormente ao Banco do Estado de São Paulo (Banespa), daí seu apelido de "Banespinha". Por sediar a prefeitura, também é conhecido por Paço Municipal. Trabalhar no centro significa pelo menos uma vez por semana ter que atravessar alguma manifestação em frente ao prédio da prefeitura.

Shopping Light vestido para o Natal
Popularmente conhecido como Shopping Light (seu nome oficial é Prédio Alexandre Mackenzie), o edifício tem esse nome porque foi construído no antigo prédio da empresa Light de energia elétrica, junto ao Viaduto do Chá, ao lado do Vale do Anhangabaú e em frente a Praça Ramos de Azevedo e ao Teatro Municipal de São Paulo. Como shopping fica a desejar, mas vale a visita pela arquitetura. A praça de alimentação é um local superdisputado no horário do almoço por quem trabalha para aquelas bandas. Aos fins de semana é bem tranquilo. Recentemente inaugurou uma loja de fábrica da Nike lá. Recomendo para quem quer comprar tênis e roupas esportivas a um preço realmente de fábrica.

Vale do Anhangabaú visto do Viaduto do Chá
O Vale do Anhangabaú é um espaço público caracterizado como praça, onde tradicionalmente organizam-se manifestações públicas, comícios políticos e apresentações de espetáculos populares. Não se sabe ao certo quando o Vale do Anhangabaú foi ocupado, mas há registros que apontam que, em 1751, o governo já estava preocupado com um vale aberto por Tomé de Castro na região entre o Rio Anhangabaú e um lugar onde se tratava a água chamado "Nhagabaí". Até 1822 a região não era mais que uma chácara pertencente ao Barão de Itapetininga (e, depois, à Baronesa de Itu), onde se vendia agrião e chá. Lá, os moradores precisavam atravessar a Ponte do Lorena para chegar do outro lado do morro, dividido pelo rio.

Por isso, em 1877 começou a urbanização da área, com a idealização do Viaduto do Chá — que só viria a ser inaugurado em 1892. O vale já passou por diversas revitalizações e vira e mexe a prefeitura lança algum concurso que deixa os urbanistas em polvorosa, em geral elaborando projetos que são lindos no papel, mas que se mostram inviáveis na vida real. O mais recente foi um em que o arquiteto (ou será urbanista? tem diferença?) quer transformar o vale em uma grande praça, para isso eliminando o Terminal Bandeira de ônibus que fica por ali. Numa cidade com trânsito caótico como São Paulo, em que milhões de pessoas dependem do transporte público que seja de fácil acesso, é inacreditável como tem gente mais preocupada com visual do que com praticidade.


Theatro Municipal em 3 Ângulos (clica que aumenta!)
 O Theatro Municipal de São Paulo nasceu embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo no início do Século XX. Como em 1898 a cidade perdera para um incêndio o Teatro São José, palco das suas principais manifestações artísticas, tornava-se imperativo construir um espaço à altura das grandes companhias estrangeiras. O arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi iniciaram a construção em 1903 e, em 12 de Setembro de 1911, o Theatro Municipal foi aberto ante de uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. São Paulo se integrava, então, ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.

Duas grandes obras marcaram as mudanças e renovações no Theatro: a primeira, em 1954, criou novos pavimentos para ampliar os camarins, reduziu os camarotes e instalou o órgão G. Tamburini; a segunda, de 1986 a 1991, restaurou o prédio e implementou estruturas e equipamentos mais modernos. Para celebrar o Centenário, em 12 de Setembro de 2011, o Theatro Municipal de São Paulo sofreu a terceira obra, esta bem mais complexa que as demais, por restaurar todo o edifício e modernizar o palco. Para tal, as fachadas e a ala nobre foram restauradas, 14.262 vidros que compõem os conjuntos de vitrais recuperados, as pinturas decorativas resgatadas com base em fotos antigas e o palco foi equipado com os mais modernos mecanismos cênicos.

Essa última obra demorou anos. Ainda não fui ao teatro depois da reforma, mas espero que tenham trocado as cadeiras. Eram muito desconfortáveis e o espaço entre as filas era ridiculamente pequeno. Eu, do alto dos meus um metro e meio, batia o joelho na cadeira da frente o tempo todo.


Fonte do Vale do Anhangabaú e Detalhes da Escadaria
Em 1922, São Paulo recebeu um conjunto de doze esculturas vindas da Itália em homenagem a Carlos Gomes (1836-1896). As figuras criadas por Luigi Brizzolara referiam-se às óperas do compositor, caso da Fosca reclinada sobre a escada. Instalado entre a Praça Ramos de Azevedo e o Anhangabaú, o lote incluía um chafariz, apelidado de Fonte dos Desejos depois que o prefeito Adhemar de Barros depositou ali, na década de 50, água da Fontana di Trevi, em Roma.

Essa parte do jardim das esculturas e fonte é linda. Acreditam que eu nunca tinha descido até lá? Uma pena que a fonte quase sempre está desligada e que não dá para ficar muito tempo ali curtindo. Infelizmente, tem muito desocupado vagando pelo vale. Então, fiz as fotos rapidinho e subi, no melhor esquema "um olho no peixe, outro no gato".
Galeria do Rock pela Entrada da Av. São João
Galeria do Rock é um centro de compras fundado em 1963, com o nome de Shopping Center Grandes Galerias. Conta com duas entradas: Rua 24 de Maio e Avenida São João e possui 450 estabelecimentos comerciais, com predominância para o comércio de produtos relacionados ao rock e outros estilos musicais. Lojas de Hip-Hop ficam no subsolo, Skate e produtos mais populares no térreo, Rock nos primeiro, segundo e terceiro andares e Silk Screen e estamparias em geral nos terceiro e quarto andares. Possui também salas de tatuagens.

O letreiro com o nome "Shopping Center Grandes Galerias" infelizmente foi removido na operação limpeza de fachada promovida pelo prefeito Kassab há alguns anos. Eu aprovo a limpeza de fachadas, mas acho que o letreiro da galeria era proporcional ao tamanho da fachada e que não precisava ter sido retirado. Além disso, nos últimos anos, a Galeria tornou-se mais um lugar para compra de roupas, calçados e acessórios do que um reduto de música. Dá para contar nos dedos as lojas de CDs e LPs. Uma pena. Em compensação, os estúdios de tatuagem se modernizaram e agora podem ser encontrados em todos os andares, não mais apenas no andar do Silk-screen. Os estúdios estão bem mais bonitos e convidativos. E o número de modelos de piercing então? Logo que começou a onda de colocação de piercings, havia praticamente 2 modelos: bolinha e argolinha. Agora é tanta coisa que fica difícil escolher. Sem contar os inúmeros alargadores. Tem uns tão absurdamente gigantes que eu poderia facilmente usar como pulseira...

E foi isso. Tem muito mais coisa legal para ver no centro, mas esse era meu caminho e por isso só fotografei esses marcos. Outro dia volto lá para um novo roteiro. Espero que tenham gostado.

Bjo!

Fontes: Wikipedia, Veja SP, Turismo SP

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Leia o Livro, Veja o Filme: Um Dia (One Day)

Sinopse:

15 de Julho de 1988. Emma e Dexter se conhecem na noite da festa de formatura. Amanhã eles seguirão caminhos diferentes. Mas onde estarão nesse mesmo dia um ano depois? E nos anos que se seguirem?

Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.

Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois.

Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

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Livro x Filme

Quando comecei a ler o livro, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a música “Eduardo e Mônica” da Legião Urbana. Emma era a garota idealista que queria mudar o mundo. Inteligente, sensível, com autoconfiança zero. Dexter, por outro lado, era o cara perfeito para se odiar: convencido, filhinho-de-papai, mulherengo. E mesmo assim eles desenvolvem uma amizade de anos, com seus altos e baixos, momentos de atração e repulsa.

Achei bem interessante a ideia de acompanhar o relacionamento dos dois ao longo dos anos, tendo a data de Saint Swithin como marco, embora fosse meio óbvio (pelo menos para mim) desde o início o tipo de final que teria.

Gostei também da adaptação para o cinema. É claro que senti falta dos detalhes, das piadas e provocações entre o casal e tudo o mais, mas temos que lembrar que são mídias diferentes. Eu não conhecia o ator que interpreta Dexter (Jim Sturgess), ou, se conhecia, não lembro de ter visto outros filmes com ele. Já Anne Hathaway eu adoro. Acho linda de uma forma não-hollywoodiana e muito boa atriz.

Eu procuro sempre ler o livro antes de ver o filme, pois se assisto a adaptação cinematográfica primeiro, perco o interesse no livro. No caso de “Um Dia”, só comecei a ler o livro depois que anunciaram que a Anne Hathaway interpretaria Emma, então não tive a oportunidade de criar minha própria versão da personagem. Era ela o tempo todo na minha cabeça. OK, podem dizer, sou influenciável. Quanto ao meu Dexter, não tinha rosto. Sei lá, nunca imaginei uma pessoa específica enquanto lia. Minha maior decepção com escolha da atriz para interpretar personagem foi a Suki. Na minha versão ela era japonesa. Na verdade, ela era a Daniela Suzuki...hehe.

E vocês também são influenciáveis? Gostam de ler primeiro ou preferem assistir ao filme antes? Ou nada disso afeta suas escolhas?
Seja como for, recomendo tanto o livro quanto o filme.
Boa diversão!

PS.: Sinopse retirada do site oficial, que também tem guia de leitura, perfil dos personagens, ficha do ator e trailer do filme.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Teatro: Adultérios

Ontem aproveitei uma dessas promoções de sites de compra coletiva e fui assistir a uma peça que estava a fim de ver há tempos: Adultérios.




Sinopse:
O cenário é Nova York, como grande maioria das criações de Woody Allen. A comédia se passa à beira do Rio Hudson, com o encontro entre o roteirista de cinema de recente sucesso Jim Swain e um típico "homeless" americano, Fred. Jim está à espera de sua amante, para terminar o relacionamento. Fred, esquizofrênico e extremamente inteligente, se aproxima, puxa uma conversa trivial, até que acusa Jim de ter roubado sua história para escrever o roteiro de seu mais recente filme, um sucesso de bilheteria. Em meio a uma divertida e tensa discussão, os dois se vêem cada vez mais próximos, até que Fred acaba por se tornar um conselheiro sobre a relação que está prestes a terminar. Barbara, a amante, finalmente chega e tudo se complica, culminando em um final surpreendente e ardiloso.


A peça, cujo título original é Central Park West, é um texto escrito diretamente para o palco por Woody Allen e foi levada aos palcos pela primeira vez em 1995. A versão brasileira foi traduzida por Raquel Ripani, tem adaptação e direção de Alexandre Reinecke, e conta com Fábio Assunção, Norival Rizzo e Carol Mariottini no elenco. Eu A-M-O Woody Allen e suas neuroses e conseguia visualizá-lo direitinho interpretando as cenas com seu jeito peculiar inconfundível. Não há como negar a autoria do texto.


Uma coisa muito legal da peça é que Fábio Assunção e Norival Rizzo se revezam na interpretação dos papéis de Jim e de Fred a cada espetáculo (reparem nas fotos 2 e 3, como o figurino mostra a troca de papéis). Na apresentação de ontem, Fábio interpretou o desabrigado esquizofrênico Fred Savage, enquanto Norival ficou com o papel do roteirista que espera a amante. Eu queria muito ver como seria a inversão dos papéis, mas, infelizmente, essa informação não é revelada com antecedência. Só na hora é que descobrimos quem vai interpretar o que.

De qualquer forma, ontem foi a última apresentação da temporada, mas em fevereiro do ano que vem a peça entra em cartaz novamente no Tuca, aqui em São Paulo. Então, se você curte um bom espetáculo, mora aqui em Sampa ou se estiver passando por aqui quando a peça já tiver retornado, não deixe de assistir!

Créditos:
Sinopse: Divulgação
Foto 1 - Divulgação
Foto 2 - Veja SP
Foto 3 - Divulgação

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Resenha: O Clube dos Anjos (Gula) - Luis Fernando Veríssimo

"A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba – mas a fome continua".
(Contracapa de 'O Clube dos Anjos')

O Clube dos Anjos (Gula) faz parte da Coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, composta por sete livros de sete autores diferentes, cada obra abordando um pecado capital. Nesse SITE tem uma lista com os outros livros e autores participantes.

O livro conta a história de 10 amigos que costumavam se reunir desde a adolescência num bar para comer picadinho de carne, farofa de ovo e banana frita. Eles formam o Clube do Picadinho, que mantém o nome apesar da sofisticação gastronômica que foi tomando conta de seus participantes nos 21 anos de existência do grupo. Uma vez por mês eles se encontram na casa de um dos membros para mais um banquete.

Tudo vai bem, até o surgimento de Lucídio, um misterioso homem que parece saber mais sobre os membros do Clube do Picadinho do que demonstra, e que fisga a todos com seus quitutes irresistíveis e mortais. Mesmo vendo morrer um comensal a cada jantar preparado por Lucídio, a gula fala mais alto. A iminência da morte apenas torna o prato mais saboroso. Quem será a próxima vítima?

**********************
Não posso falar mais do que isso, senão estrago o suspense. Tudo o que posso dizer é que esse foi o único livro que li dessa coleção e adorei. Quero muito ler os outros.

Ah! E para quem está pensando em participar do Desafio Literário 2012 e não tem ideia do que ler no mês de janeiro, esta é uma ótima pedida. Quem quiser pode até procurar meu livro lá no Skoob. Coloquei ontem para troca.

Bjo pro6!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Desafio Literário 2012 - Lista de Leitura


E então que eu sempre vejo as pessoas participando de desafios literários e acho tudo muito legal, mas nunca participei de nenhum. Até agora. Como este ano consegui retomar minha leitura em um ritmo razoável, decidi me inscrever para o Desafio Literário 2012.

Desafio Literário, o que é?

Uma gincana literária cuja tarefa principal é ler um MÍNIMO de 12 livros em 01 ano. A cada mês, um tema de leitura diferente e estimulante dentre o vasto universo de vertentes, estilos e gêneros da literatura.

Considerando que releituras não contam, montei minha seleção privilegiando livros que já tenho em casa mas que nunca li. Vou ter que ir atrás de apenas 1 ou 2.

Os temas do desafio e os livros escolhidos por mim são:

Janeiro – Literatura Gastronômica
Opção 1: Chocolate amargo (Gordon Ramsay) OK
Opção 2: Uma vegetariana no açougue (Tara Austen Weaver) OK

Fevereiro – Nome Próprio de Pessoas
Opção 1: Marina (Carlos Ruiz Zafón) OK
Opção 2: Caim (José Saramago) OK

Março – Serial Killer
Opção 1: Lavoura de Corpos (Patricia D. Cornwell) OK
Opção 2: Dexter – No escuro (Jeff Lindsay)
Opção 2: Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Jô Soares) OK

Abril – Escritor Oriental
Opção 1: Do outro lado (Natsuo Kirino) OK
Opção 2: Quando éramos órfãos (Kazuo Ishiguro)
Opção 2: O Complexo de Di (Dai Sijie) OK

Maio – Fatos Históricos
Opção 1: A mulher do meio-dia (Julia Franck) [segunda guerra mundial] OK
Opção 2: Anne Frank - The diary of a young girl (Anne Frank) [segunda guerra mundial]
Opção 2: Os girassóis cegos (Alberto Méndez) [guerra civil espanhola] OK

Junho – Viagem no Tempo
Opção 1: Fim da eternidade (Isaac Asimov) OK
Opção 2: A mulher do viajante do tempo (Audrey Niffenegger)
Opção 2: Matadouro 5 (Kurt Vonnegut) OK

Julho – Prêmio Jabuti
Opção 1: Cordilheira (Daniel Galera) [3º lugar na Categoria romance 2009] OK
Opção 2: Um crime delicado (Sérgio Sant’Anna) [Categoria romance 1998]
Opção 2: A mulher que escreveu a bíblia (Moacyr Scliar) [Categoria romance 2000] OK

Agosto – Terror
Opção 1: A maldição do cigano (Stephen King)
Opção 2: Contos do terror (Edgar Allan Poe) OK
Opção 3: O médico e o monstro (Roberto Louis Stevenson) OK

Setembro – Mitologia Universal
Opção 1: Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Rick Riordan)
Opção 2: Ilíada (Homero)
Opção 1: Os Trabalhos de Hércules (Agatha Christie) OK
Opção 2: A Princesa que Enganou a Morte e outros contos (Tradução/Adaptação por Sonia S. Forjaz) OK

Outubro – Graphic Novel
Opção 1: A casa de bonecas (Neil Gaiman)
Opção 2: 1602 (Neil Gaiman / Andy Kubert / Richard Isanove)
Opção 1: Daytripper (Fábio Moon / Gabriel Bá) OK
Opção 2: Asterios Polyp (David Mazzucchelli) OK
Opção 3: A Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch (Neil Gaiman / Dave McKean) OK

Novembro – Escritor Africano
Opção 1: Desonra (J. M. Coetzee)
Opção 2: Cotoco (John van de Ruit)
Opção 1: De volta à vida (Nadine Gordimer) OK

Dezembro – Poesia
Opção 1: O Cancioneiro (Fernando Pessoa)
Opção 2: As flores do mal (Charles Baudelaire)
Opção 1: Sonetos do Amor Obscuro e Divã de Tamarit (Federico García Lorca) OK
Opção 2: Navegações e Regressos (Pablo Neruda) OK

Quer participar?
Vai lá no site e veja o REGULAMENTO.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amor na estante

Você gosta de literatura? E de cinema? Curte animação? Suspira com histórias de amor? E se misturar tudo isso?

Mourir Auprès de Toi (Morrer ao seu Lado) é um curta-metragem do Spike Jonze que conta a história de amor entre personagens de dois livros: o esqueleto de Macbeth e Mina Harke, a mocinha objeto de desejo do conde Drácula. Como toda boa história de amor, eles terão que enfrentar vários obstáculos para que possam enfim cair um nos braços do outro. Dá o PLAY aí que você não vai se arrepender!


Vi lá no Bibliophile e não resisti. Tive que compartilhar!
O vídeo foi publicado originalmente no site do Nowness.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SWU 14/11/2011 em Paulínia - Alice in Chains e Faith No More

Ainda no espírito de revival grunge do post anterior, peguei a galocha e a capa de chuva e fui ao SWU finalmente assistir a um show da minha banda grunge favorita: Alice in Chains. A longa espera de 20 anos valeu a pena.

A banda já chegou arregaçando com “Them bones” e foi enfileirando hits e introduzindo músicas novas. Nem a chuva incessante que se intensificou durante o show esfriou os ânimos. O público pulava e cantava os hinos grunge com empolgação. A banda estava mais afinada do que nunca e o novo vocalista, William Duvall, segurou a onda muito bem.
William DuVall em ação
Na sequência, encerrando a noite e os três dias de festival, veio o Faith No More. O que dizer do show? Como sempre, perfeito! Trouxeram um cenário meio candomblé, um poeta pernambucano e um coral de jovens da Favela do Heliópolis. Misturaram hits com músicas menos conhecidas e não deram descanso durante uma hora e meia de show. Ah... e tem o Mike Patton, né? Como não amar aquele doido que vai ficando mais e mais possuído no decorrer da apresentação? Canta, dança, interage em português, solta palavrões, assume a câmera que filmava o show, cai do banquinho, vai pra galera... ah, sim, continua gato, supersimpático e cantando muito.
Mike Patton numa vibe pai de santo
Quanto ao festival em si, posso dizer que a sustentabilidade passou longe. A montanha de copos plásticos e latinhas pelo chão era impressionante. OK, eles vão reciclar depois, mas será que não seria melhor pensar em uma alternativa. Sei lá, tipo entregar um daqueles copos que desmontam quando você compra o ingresso e você teria que usá-lo durante o festival. Do contrário, pagaria uns R$5,00 por copo utilizado. Sei que pensar em cobrar um valor desses por copo parece absurdo, mas infelizmente as pessoas só se mexem quando o bolso é afetado.

Tirando a falta de civilidade de algumas pessoas e o número realmente insuficiente de lixeiras, o resto até que foi bem. O esquema de ida e volta com ônibus do festival funcionou melhor do que eu imaginava. O busão saiu na hora daqui da rodoviária do Tietê e levou só uma hora e meia para chegar em Paulínia, que é o tempo que eu demoraria para ir ao outro lado da cidade no Estádio do Morumbi, por exemplo. Na volta, apesar do cansaço para andar até a rodoviária, não teve muita fila de espera. Só uma meia hora, o que é razoável, considerando o número de pessoas no festival. Melhor do que os coitados que optaram por ir de carro e depois tiveram que pagar trator para desatolar os veículos no estacionamento oficial do evento.
No metrô: Fácil de saber quem voltava do show
O saldo? Positivo. Para mim festival de música é isso aí: passar um tempo com os amigos, assistir a ótimos shows (e alguns nem tão bons assim), pegar fila no banheiro, comer porcarias, estar sujeita a intempéries, muito cansaço e alguns machucados no pé, mas, no fim, ter vivenciado uma experiência única da qual me lembrarei para o resto da vida.´

Fotos dos shows: Folha.
Fotos no metrô: Ana Flávia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Resenha: Nirvana Nunca Mais (Mark Lindquist)

Sinopse:
“Nirvana Nunca Mais" conta a história de Peter Tyler, um ex-vocalista de uma banda grunge, que largou tudo para virar promotor público. Atormentado por uma crise de meia idade, que o impede de crescer totalmente, Tyler não consegue largar o "rock’n’roll way of life" e ainda continua bebendo até cair, freqüentando prostíbulos e saindo com strippers. Para complicar ainda mais a sua vida, um caso de estupro cai em suas mãos. O único problema é que o acusado é um dos roqueiros mais conhecidos de Seattle, e o escândalo envolve toda a cena musical da cidade. Em uma realidade paralela, o acusado poderia ser o próprio Tyler.
(Sinopse retirada do site Scream & Yell)

Resenha:
Apesar de curtir o som dos anos 80, eu sou, na verdade, mais fã dos anos 90, pois foi nessa década que vivi minha adolescência. E em tempos de comemoração de 20 anos do “Nevermind”, vinte anos do Pearl Jam (que desembarca por aqui esta semana para shows) e mais uma série de shows de revival do grunge semana que vem no SWU, não podia deixar de falar do livro "Nirvana nunca mais". O livro não conta a história do grunge em si, mas usa esse tipo de som como pano de fundo para a história de Peter. Conhecer Seattle por meio de referências musicais (tendo nomes de canções como títulos dos capítulos), bandas famosas e outras não tão conhecidas, bares clássicos da região e o clima soturno e depressivo da referida cidade é incrível. Realmente nos dá a sensação de estar passeando por esses cenários míticos.

Já os dramas existenciais do nosso protagonista... bem, achei fraco. OK, o cara está confuso, com quase 40 anos, mas ainda vivendo como se fosse adolescente, procurando se ajustar ao trabalho e tentando achar uma mulher para casar e viver feliz para sempre. Mesmo assim, senti que o autor se empenhou mais em trazer referências realistas do que em desenvolver o personagem. Dá a impressão de que ele se perdeu e depois não sabia como terminar a história. Encurtou a conversa para chegar logo "aos finalmentes" e ponto final.

Recomendo aos fãs de grunge e de rock em geral. É bom curtir momentos nostálgicos, principalmente em passagens como esta:
Durante os aplausos entre “About a Girl” e “Come as you are”, Esmé pergunta:
- De quem você gosta mais: Nirvana ou Pearl Jam?
Aí está.
Pete quase estava esperando a pergunta. Um nativo precisa escolher, é claro, e a resposta tem a mesma importância que a clássica pergunta dos anos 60: “Beatles ou Stones”?
“Take your time, hurry up, the choice is yours...” [Vá com calma, apresse-se, a escolha é sua...]
- Está bem – diz ele. - Nirvana.
- Pearl Jam.
Pausa.
- Eddie Vedder é mais sexy do que Kurt Cobain – explica Esmé. – Principalmente porque ele ainda está vivo.
Pete se pergunta se esse desacordo pode pressagiar outros rachas, mais sérios. Entretanto, ele conclui que respeita sua preferência pelos vivos em relação aos mortos.
(Nirvana nunca mais, páginas 150-151).

Tirem as camisas de flanela xadrez do armário e sejam felizes!
Bjo!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Filmitchos do Fim de Semana: Meu País / Um Gato em Paris

Lembram de quando eu disse que o que falta ao cinema brasileiro é contar histórias simples, mas de um modo sensível? Então... “Meu País” é um exemplo de que isso pode ser bem feito. A história nos apresenta Marcos (Rodrigo Santoro), que, depois de anos morando na Itália, volta ao Brasil quando seu pai sofre um derrame. O pai acaba falecendo sem que Marcos tenha a chance de falar com ele e, com isso, Marcos tem que enfrentar uma série de problemas: seu irmão mais novo, Tiago (Cauã Reymond), que deveria assumir os negócios da família, mas que está endividado e continua perdendo fortunas em jogo; sofre pressão do sogro para retornar à Itália logo, pois sua presença lá é fundamental para lidar com o sobe e desce de ações da empresa que dirige; ainda por cima, descobre que tem uma meia-irmã com problemas mentais, Manuela (Débora Falabella), que está internada há tempos, mas que não pode mais continuar lá.


Gostei muito do filme. O problema mental de Manuela é abordado de forma muito direta, mas delicada, sem sentimentalismo barato. Débora Falabella e Rodrigo Santoro dão show, como sempre. Cauã Raymond... bem, para mim ele faz sempre o mesmo papel. Na verdade nunca sei se o que estou vendo é um personagem ou o ator. Acho que a única cena desnecessária e sem sentido é a da balada. Me diz como uma pessoa que acaba de ser bombardeada com todos os problemas acima de uma só vez, do nada decide fingir que está tudo bem e ir curtir a noite? Com certeza só botaram isso no filme porque a história se passa em São Paulo, onde takes de balada e trânsito são clichês tão obrigatórios quanto rodar uma novela do Manoel Carlos no Leblon...

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O outro filme do fim de semana foi uma animação francesa chamada “Um gato em Paris” (Une vie de chat). Conta a história de Dino, um gato que passa os dias na casa de Zoé, uma menininha que está numa fase de mudez causada pelo assassinato de seu pai por um dos bandidos mais procurados de Paris, Victor Costa. A mãe de Zoé é a delegada que fica mais tempo no trabalho do que em casa, buscando desesperadamente prender o tal bandido para vingar-se e conseguir paz. À noite, o gato Dino sai pelos telhados da cidade luz acompanhando Nico, um ladrão habilidoso, mas de bom coração.

A animação tradicional é linda e ver Paris em traços tão bonitos é maravilhoso. A história aborda temas como perda, superação e amizade, e o mais interessante é que, ao contrário da maioria dos desenhos endereçados ao público infantil, não vemos no filme “o mal absoluto” vs “o bem que sempre vence”. As pessoas são mostradas como realmente são, com suas falhas e suas qualidades, sem super-heróis e vilões.

Recomendo!
Tem trailer AQUI.
UPDATE em 15/02/2012: Indicado ao Oscar 2012 de Melhor Longa Animado

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Barbie tatuada causa polêmica nos EUA

Foi esse o título na notícia publicada ontem na Folha que chamou minha atenção.
A boneca em questão é uma edição limitada para colecionadores adultos, lançada pela grife Tokidoki e tem essa carinha aí:

Linda, não?

Obviamente, foge aos padrões de beleza tradicionais americanos, mas não deixa de ser estilosa e ultramoderna. Ao que tudo indica, presentear meninas em fase de formação com bonecas Barbie e seu corpo esquálido e sua beleza surreal inatingível tudo bem, mas dar de presente uma versão alternativa da mesma boneca... jamais! Isso vai corromper as pobres criaturinhas e transformá-las em loucas-vadias-adoradoras-do-Satã.

Eu já tinha falado sobre Barbies e outros brinquedos AQUI. É muito triste constatar que em pleno século XXI as pessoas ainda são tão medievais. Se gabam de ter tanta tecnologia nas mãos, mas não sabem o que fazer com isso. Adoram espalhar por aí que vivemos em tempos modernos, de igualdade entre os sexos e liberdade feminina, e as próprias mães (como sempre) são as primeiras a esfregarem os valores machistas na cara de suas filhas e a empurrarem a ditadura da beleza goela abaixo das coitadas.

Mas ainda bem que algumas mães parecem raciocinar antes de sair despejando bobagens em cima de suas crias. Como bem colocou uma das entrevistadas, "Eles estão capturando um flagrante da cultura pop do jeito que ela realmente é. A Barbie não está criando a minha filha. Eu é quem estou". Outra mãe toca ainda num outro ponto crucial: o problema não são as tatuagens. "O que é inadequado para as crianças são as medidas dela", afirmou, referindo-se às curvas da boneca. "Se ela pode mudar de personalidade, por que não pode mudar de forma e tamanho?". Disse tudo.

Então é isso. Eu não tenho filhos e nem pretendo ter, mas, se tivesse, trataria de lembrar que a boneca é apenas um brinquedo, quem tem a palavra final são os pais. A menininha vai pirar e começar a implorar por tatuagens e piercings? Talvez. Cabe aos pais explicar que ela precisa ter uma idade X para fazer tais coisas e, quem sabe, dizer que ela pode ter uma tatuagem de adesivo ou henna. Se a criança for pequena, tiver até uns 10 anos, acho que nem vai reparar na diferença de uma tattoo real ou temporária. Na verdade, acho que vai até gostar mais das removíveis, já que poderá trocar sempre. Se a menina for mais velha que isso, provavelmente fará um draminha adolescente, mas não importa. Saber ouvir um "não" não vai matá-la. Aliás, acho que é isso que falta atualmente. Dizer não aos filhos. Talvez se eles ouvissem menos “não” quando crianças, não se achariam o centro do mundo quando adultos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Resenha: A Desintegração da Morte (Orígenes Lessa)

O que seria da vida se não existisse a morte?
É esse o ponto de partida do livro “A Desintegração da Morte”.

Na história, um cientista consegue fazer com que a morte desapareça da face da Terra. No começo, a população considera o sumiço da morte uma benção. Os povos saem às ruas comemorando o fim desse temor. Logo, três dos principais ramos de negócios vão à falência: os cemitérios e casas funerárias, as empresas farmacêuticas e hospitais e a indústria bélica. Afinal, ninguém morre nem precisa de cura ou de guerra...

No entanto, em pouco tempo é feita uma constatação cruel: as pessoas podem não morrer, mas sentem fome e dor. Com isso, o que era motivo de alegria passa a trazer novos problemas. Assim, a indústria farmacêutica recupera sua importância, a indústria bélica se transforma em indústria alimentícia e as casas funerárias passam a oferecer caixões confortáveis onde se pode descansar e ficar entorpecido com soníferos.

"Pouco a pouco o que a humanidade mais desejava era o sono, imitação pálida da morte."
(página 81)

O interessante desse livro é observar como o comportamento humano se adapta e como as grandes indústrias que guiam nossa vida jamais deixam de existir, apenas se transformam. Por exemplo, considerando que ninguém mais morre, as indústrias produtoras de material bélico não veem utilidade em continuar produzindo armas e passam a produzir alimentos, agora um ramo muito mais lucrativo. Todavia, quando se achava que as guerras finalmente teriam fim, elas voltam com força total, pois com uma população que não para de crescer e que não morre nunca, espaços para plantio são muito disputados. E, embora não morram, as pessoas atingidas por balas e bombas continuam vivendo aos pedaços, como zumbis. E como alimentar todo esse mar de gente? Capturando outras pessoas para que trabalhem em campos de concentração... Ou seja, as mazelas que conhecemos continuam, apenas ajustadas a uma nova necessidade.

Outro ponto relevante é a religião. Embora cada religião tenha suas particularidades, é consenso a ideia de vida após a morte. Como ninguém morre, as igrejas perdem seu poder sobre a massa e praticamente entram em extinção. Mas então alguém se dá conta de oferecer a salvação com uma nova roupagem: a morte. Se antes todos viviam de modo a garantir a vida eterna, agora as pessoas são guiadas por preceitos que visam alcançar a tão sonhada morte.

O que fica disso tudo?
Para mim, a história mostra que tudo é cíclico e que a humanidade tem um senso destrutivo aguçado. Achei bem intrigante e recomendo!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Corre lá!

Oi, gente!

Tô passando rapidinho para compartilhar com vocês uma promoção de livros que está rolando na FNAC.
Ontem, comprei essas belezinhas aqui:

Todos a R$19,90, exceto o "Especiais", que foi R$29,90 (ainda assim mais barato que na maioria dos lugares). Eu comprei na loja física, mas dá para comprar pelo site também.

Corre lá!!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Filmitcho: Minhas Tardes com Margueritte (La Tetê en Friche)

Lembram de quando eu disse que sinto falta de histórias simples e sensíveis no cinema brasileiro?
Então... aqui vai mais um exemplo, desta vez vindo da França.

Em "Minhas tardes com Margueritte" vemos um Gerard Depardieu gordo interpretando Germain Chazes, um personagem rústico, semianalfabeto, que faz comentários impróprios nos momentos errados. Ele é um operário que vive num trailer ao lado da casa da mãe e cultiva uma horta, mantendo também o hobby de entalhar madeira. Por causa de seu jeito meio bronco e do baixo grau de instrução, ele é constantemente zombado por seus patrões e amigos de bar. No entanto, por trás dessa figura meio caipira e desajeitada há um homem de grande sensibilidade e com um enorme coração.


Um dos passatempos preferidos de Germain é sentar-se em um banco do parque e observar os pombos. Observar só não: ele os conta e dá nome a eles. Num desses dias, ele conhece Margueritte, uma senhora de 95 anos que também costumava ir ao parque ver os pombos e para ler e reler seus livros favoritos. A empatia é imediata e, assim, Germain e Margueritte passam a se encontrar diariamente. No início, Margueritte lia trechos de algumas obras. Depois, acaba presenteando Germain com alguns desses livros. Apesar de feliz com a gentileza, os livros o amedrontam, pois ele tem grande dificuldade para ler. Flashbacks nos mostram cenas da infância de Germain: xingado e agredido pela mãe que não queria ter um filho, humilhado por professores e colegas da escola devido a sua dificuldade de leitura e raciocínio lento.

Até que um dia, Margueritte o presenteia com um dicionário. Em casa, Germain decide procurar o significado de algumas palavras, mas, desconhecendo a grafia delas, encontra grande dificuldade para localizá-las. Frustrado, ele devolve o dicionário e desculpa-se, dizendo que as palavras que ele conhece não existem no dicionário, e que com as que existem ele não concorda.

Todavia, uma revelação de Margueritte faz com que ele decida esforçar-se para melhorar a leitura: ela tem uma degeneração macular senil, ou seja, está perdendo a visão. Com a ajuda de sua namorada e sob a vigilância de seu gato escudeiro, a habilidade de leitura de Germain melhora, e ele passa então a ler para aquela que o fez despertar para o mundo da literatura.

Uma linda fábula sobre como a literatura aproxima as pessoas nesses tempos estranhos de tecnologia, reality shows, desvalorização da educação, passividade e preguiça mental.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pra dizer adeus...

Ontem fui ao meu quinto e provavelmente último show do Bad Religion. Segundo o próprio vocalista, depois do Brasil eles vão passar pela Austrália e Canadá e então, após 30 anos de bons serviços prestados ao punk rock, se aposentar.


O show foi um misto de alegria por ver a banda mais uma vez e tristeza por saber que era um adeus. Misturando músicas do último álbum lançado em 2010, The Dissident of Man, e clássicos fisgados de todos os períodos da banda, o Bad Religion não decepcionou. É óbvio que eles não têm mais a mesma energia de antes, já que não são exatamente meninos. Mas, para falar a verdade, nem eu tenho o mesmo fôlego que apresentava há alguns anos. Faz parte do envelhecimento. Foi até engraçado quando Greg, o vocalista, perguntou quem estava vendo o Bad Religion pela primeira vez, com algumas pessoas levantando as mãos, e quem acompanhava a banda há pelo menos 20 anos e a maioria se manifestou. Não acompanho há 20, mas há uns 15... certeza. A sensação de ter a Certidão de Nascimento esfregada na cara é um tanto estranha e assustadora. Mas enfim, de uma coisa eu tenho certeza: pouquíssimas bandas podem se orgulhar de ficar 30 anos na ativa fazendo um som tão vigoroso, que não apenas faz pular, mas também pensar. Verdadeiro punk rock é isso aí.

Para quem não conhece e não tem a menor ideia do que eu estou falando, o refrão da letra de uma das minhas músicas favoritas, feita ainda no século XX, mas que, infelizmente, mostra a verdade dos nossos dias e o caminho apoteótico do futuro:

“See I'm a 21st century digital boy
I don't know how to read but I've got a lot of toys
My daddy's a lazy middle class intellectual
My mommy's on Valium, so ineffectual
Ain't life a mystery?”
(21st Century (Digital Boy))

Nada mais emblemático após um Dia das Crianças, não?

Para quem quiser se despedir ou ter o privilégio de ver um show dos caras, ainda dá tempo:
- Brasília (Parque da Cidade, em 14/10)
- Rio de Janeiro (Fundição Progresso, em 15/10)

Se não estiver por essas bandas, não tem problema. É só ir atrás dos discos e vídeos.
Fui!
(foto do Terra)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Leia o Livro, Veja o Filme: Não me abandone jamais (Never let me go)

Sinopse:
Kathy, Tommy e Ruth são alunos de Hailsham. Na verdade, são clones criados para doar órgãos. Eles formam um triângulo amoroso, usado pelo autor, Kazuo Ishiguro, como gancho para falar de perda, solidão e da sensação que às vezes temos de já ser "tarde demais".

Livro x Filme:
Quem narra a história é Kathy, já adulta e prestes a encerrar sua carreira de cuidadora e finalmente tornar-se doadora. A partir de suas memórias, ela nos apresenta à rotina de Hailsham, esse local isolado do mundo que se traveste de escola comum onde ela e seus amigos cresceram para cumprir um único objetivo: servir de doadores, fornecendo órgãos do corpo como se fossem peças de reposição.


Desde o começo já dava para perceber que Kathy e Ruth são melhores amigas, mas que Ruth queria sempre ser o centro das atenções. Kathy se ressentia, mas no fundo achava que era apenas o jeito da amiga e que deveria aceitá-la assim. Às vezes elas brigavam, mas conseguiam manter a amizade por meio de gentilezas e pedidos de desculpa. Kathy era uma das únicas amigas de Tommy. Ela o entendia e eles adoravam conversar e analisar os mistérios de Hailsham. No entanto, na adolescência, Ruth se aproxima de Tommy e eles acabam namorando. Kathy era tida como a fiel escudeira do casal, ouvindo as reclamações dos dois, dando conselhos e ajeitando as coisas para que eles se acertassem depois das brigas. Apesar do papel ingrato, ela aceita tudo sem se opor e sem demonstrar os sentimentos que tinha por Tommy. Mas... só se vive uma vez e, no caso dos protagonistas, a vida é abreviada pelas doações.

Confesso que demorei um pouco a entrar no clima da história. A forma detalhada da narração de Kathy me pareceu meio cansativa e sem propósito no início, mas depois entendi que a única forma de apreciar sua narrativa era esquecer o mundo como o conhecemos e me colocar no lugar da personagem, ver as coisas como ela via. Muitas coisas que para nós são óbvias, não o eram para as crianças clones que cresceram isoladas. Por exemplo, elas tinham que ensaiar como interagir com pessoas de fora da escola, como agir em lugares públicos, o que esperar das pessoas comuns. Coisas que fazemos sem pensar, para eles era um desafio. É estranho, mas, como aponta Miss Lucy, uma das tutoras da escola, as crianças eram iludidas, pois a realidade era dita, mas não dita, ou seja, todos sabiam que teriam que doar órgãos ao chegarem à idade adulta, mas, por outro, lado deixavam que eles sonhassem com um futuro, que obviamente não existiria.

É importante destacar o peso que Hailsham tem na história. O lugar era um universo à parte. Os alunos jamais tinham contato com o mundo exterior, por isso, muitas histórias e lendas eram criadas e repassadas em segredo entre os estudantes. Uma aura de mistério envolve tudo o que acontecia na escola. Um exemplo dos mistérios mais discutidos entre os alunos era a existência ou não da “Galeria”, lugar para onde, supostamente, eram levados as melhores pinturas, esculturas e poesias criadas pelos alunos e escolhidas por “Madame”, mulher que aparecia periodicamente em Hailsham para escolher as obras de destaque. Além disso, discutiam também qual o propósito da tal “Galeria”. Outro assunto tabu que vivia na mente dos estudantes era a existência dos “Possíveis”, como eram chamadas as pessoas “Originais” das quais eles foram clonados. Alguns diziam que eles existiam e eram pessoas "normais" que circulavam por aí; outros acreditavam que os "Originais" eram párias da sociedade: condenados, drogados, prostitutas, etc. Um outro tópico proibido nas conversas formais, mas que estava sempre em alta, era a possibilidade de pedir um "Adiamento" do início das doações se dois estudantes estivessem mesmo apaixonados. A lenda dizia que era concedido um prazo de 3-4 anos para que o casal vivesse o amor antes de começarem as doações obrigatórias.

Bom, não vou estragar a surpresa e dizer se os boatos eram verdadeiros ou falsos. Só vou falar que não são mostrados devidamente no filme. Na película, tudo é tratado de forma direta e grande parte dos mistérios e divagações, que são a essência da esperança dos clones, não existe. Não fica claro o nível de intimidade entre as amigas, é tudo muito acelerado. Não vemos os pequenos gestos que fazem o amor de Kathy e Tommy florescer. Ainda mantém o tom melancólico, mas muito da beleza se perde.


Por fim, posso dizer que, por trás viés futurista e de ficção científica, a história levanta questões éticas pertinentes, não tão distantes assim da nossa realidade. Alguém aí se lembra de ovelha Dolly? De toda a discussão sobre se poderíamos clonar seres humanos? Pois bem... até que ponto é ético criar outros seres só para obrigá-los a doar órgãos para pessoas doentes? Com base em que nos julgamos capazes de decidir qual vida vale mais? Sabendo que o destino dos clones estava traçado, foi errado deixá-los ter expectativas para o futuro? Mas e se não houvesse o mínimo senso de futuro, valeria a pena viver? E depois que várias pessoas foram salvas de doenças incuráveis que dependiam de transplante, como, tendo a cura nas mãos, dizer a elas que o processo de criação de clones será interrompido?

Pare ler/ver, se emocionar e refletir...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Leia o Livro, Veja o Filme: A Solidão dos Números Primos (La Solitudine dei Numeri Primi)

E lá se vão quase dois anos desde que li "A Solidão dos Números Primos", o primeiro livro de Paolo Giordano, vencedor do Prêmio Strega (o mais importante prêmio literário da Itália) em 2009, mas a trama continua bem vívida em minha memória. Resolvi postar agora porque só recentemente pude assistir ao filme, lançado em 2009 e com roteiro escrito pelo próprio Paolo Giordano, mas que só foi exibido no Brasil em mostras e festivais. Tinha até me esquecido dele, mas nos últimos dias, numa dessas buscas sem destino certo na internet, o encontrei para download. Livro e filme vão intercalando as histórias de Alice Della Rocca e de Mattia Balossino desde 1983 até 2007, e, segundo o próprio autor, retrata a geração criada na Itália dos anos 80 e 90 (que não é muito diferente do resto do mundo), vendo televisão, e fala de uma faixa de jovens que cresceram no individualismo, fechados em si mesmos. Os dois personagens principais são almas quebradas, atraídos pelas desgraças um do outro. Por várias vezes parecem se encontrar, mas sempre se separam e continuam solitários como números primos, ou seja, aqueles que podem ser divididos apenas por 1 e por eles mesmos. Na verdade, eles são mais raros ainda, como números primos gêmeos (como 17 e 19, por exemplo): “são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente”.


Não posso contar mais da sinopse, pois, ao contrário do livro, o filme não tem uma narrativa linear. Só o que posso dizer é que há uma tragédia envolvendo Mattia e sua irmã autista e um acidente que muda a vida de Alice. Embora seja um livro com personagens adolescentes, não acho que seja um livro para adolescentes. O clima depressivo e autodestrutivo dos personagens permeia todo o texto, causando muita angústia. Na verdade, o isolamento e os problemas de comunicação não estão só com os jovens, basta observar as relações familiares: o pai de Alice a obrigava a participar de competições, sua mãe já demonstrava traços de depressão, e a própria Alice já dava sinais de distúrbios alimentares. Na família de Mattia, a coisa não é muito diferente: ele sofria pressão para incluir a irmã em tudo o que fazia, era forçado a assumir responsabilidade de mais para uma criança de sua idade, e, ao mesmo tempo, os pais o criticavam por não ter amigos ou vida social.

O livro tem um estilo de escrita direto, simples e sem rodeios, tornando a leitura fácil e rápida. E, embora seja triste e angustiante, não dá para parar de ler. Você fica querendo saber o que vem depois, e torce para os dois darem certo juntos, mesmo sabendo que é pouco provável. Uma história de amor um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. Não há nenhum obstáculo externo, nenhuma oposição das famílias, nenhuma traição. Só o que os impede de ficar juntos são eles mesmos.

Altamente recomendável!